quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Terapia de choque para curar vício em Facebook - 3o Bimestre

Terapia de choque para curar vício em Facebook

A técnica foi batizada de "Pavlov Poke" (cutucada de Pavlov), em homenagem ao cientista russo que treinava cães através de choques

por Luciana Galastri

Editora Globo
Dois cientistas do MIT, Robert Morris e Dan McDuff, estavam frustrados com o tempo que eles gastavam no Facebook. Durante uma semana, os dois, combinados, passavam 50 horas na rede. E, para aproveitarem melhor seu tempo e perder o hábito, eles resolveram criar uma terapia de choque - literalmente.
Inspirados por Ivan Pavlov, fisiólogo russo que estudava o comportamento dos animais através de choques, condicionando-os a uma determinada ação, eles criaram o "Pavlov Poke". A ideia é que, a cada período de tempo 'perdido' em redes sociais ou em sites de entretenimento, o usuário leve um choque. A descarga elétrica não é grande o suficiente para ser perigosa, mas ela, de acordo com os cientistas, é definitivamente desagradável. Isso condicionaria o cérebro do internauta a associar o Facebook com a sensação ruim - e, logo, evitá-lo.
Editora Globo
O resultado foi que, depois de usar a técnica em si mesmo, Morris afirma que não deixou de acessar a rede, mas o tempo que passa lá agora é bem menor. "Depois de alguns choques esses comportamentos automáticos foram reprogramados. Eu não visito o site a não ser que eu realmente queira. Eu ainda visito, mas não sou levado até ele por uma compulsão misteriosa", escreveu o cientista em seu blog. Mesmo assim, ele esclarece que não espera que o método se popularize e que o concebeu como uma piada do que como uma intervenção legítima.
Confira a demonstração:
Além do Pavlov Poke, os dois criaram outro método menos dolorido (mas nem por isso menos violento) para diminuir o vício em Facebook. Se o usuário excede o tempo limite de uso do Facebook, uma pessoa contratada especificamente para isso é notificada pelo sistema, liga para o viciado e grita com ele até ele sair da rede. Sutil.
Você usaria um método desse para aumentar sua produtividade? Ou indicaria um amigo viciado em redes sociais para participar de um experimento do tipo?

COMENTÁRIO:
Achei a idéia meio ridícula, mas parece que funciona. Não sei se sou viciada em facebook, mas me conecto pelo menos uma vez ao dia. Como temos internet no celular 24 horas por dia, fica mais fácil a conexão e o vício, se for o caso. Acho que o hábito de se conectar ao Facebook, diariamente, é por causa da necessidade que a maioria das pessoas tem de se relacionarem e saber como vão todos que conhecem. Como o número de atividades diárias das pessoas aumentaram, fica mais fácil se relacionar pelo Facebook. Sabe-se de uma notícia em segundos e uma foto pode ser compartilhada para milhares de pessoas em poucos minutos. Acho prático e útil, apesar de muitos falarem que é uma forma de se fazer fofoca e saber da vida alheia. Mas, eu também acho, que se conecta, quem quer, não é? Ainda não vi motivos para levar choque, e espero não ter que instalar este dispositivo no futuro.

SONHOS- TERAPIA NOTURNA. 3o Bimestre.


Sonhos

Sonhos resolvem problema práticos, estimulam a criatividade e, sozinhos, já servem como uma terapia noturna

por Alexandre Versignassi
Imagine dois pontinhos. Agora, que você está acordado, eles vão ser só dois pontinhos mesmo. Mas no sono profundo é diferente. Se uma parte do cérebro imagina isso, outra área fica inspirada e cria um par de olhos. Mais outra pega e coloca esses olhos numa face. Se o rosto sair feio, a área mais burra da mente se assusta. E solta um comando mandando você correr. Começa o enredo de um sonho. Louco, mas a realidade não é muito mais sã. Pense em alguma coisa estúpida. "Martelo", por exemplo. Não existe nenhum lugar na sua cabeça com a definição da palavra "martelo". Tudo o que há é um mosaico de referências: a dor no dedo depois de uma martelada infeliz, a imagem da caixa de ferramentas do seu avô... Elas só se juntam de vez em quando para formar uma ideia sólida, igual acontece com os tijolos mentais que constroem os sonhos. A realidade e o sonhar, na verdade, se completam. E a ciência está descobrindo que uma não existe sem a outra. Vire a página para saber o que os sonhos realmente são. Isso se você não estiver sonhando neste momento. 

Você tem 3 vidas paralelas. Uma é esta aqui, de quando você está acordado. Outra é o sono. O sonho é a terceira: duas horas por noite em que o corpo está paralisado, mas algumas áreas do cérebro ficam mais aceleradas do que o normal. Só que de um jeito diferente: de dia, a parte do cérebro que mais trabalha é o gerentão da mente: o córtex pré-frontal, o setor de massa cinzenta logo atrás da sua testa responsável pelo pensamento racional. No sonho é o contrário: essa área apaga e o resto funciona a toda. 

Para entender melhor, pense no cérebro como uma escola. De samba. São várias áreas (ou alas, no caso) fazendo tarefas diferentes. Na vida acordada, cada uma faz seu trabalho bonitinho, sob o comando do córtex pré-frontal. Mas à noite é anarquia pura. Livres do controle da gerência, áreas que nunca interagem de dia começam a trocar informações feito loucas. Tipo: passistas da ala das memórias antigas se embrenham na do córtex visual (a parte que processa imagens). Nisso as memórias incitam a produção de um cenário do passado. E você pode sonhar com um lugar bonito para onde foi aos 6 anos de idade. Depois gente de outra ala, a das emoções profundas, aparece por lá. Aí o amor da sua vida pipoca naquela paisagem. E a festa na sua cabeça vai entrando pela noite. Cada vez mais doida.

Chega uma hora que ninguém é de ninguém. Tudo fica misturado. Aí você pode sonhar que seu escritório fica num barco, e que esse barco navega numa avenida. Quer sair voando? Beleza. Nem o pensamento racional nem a gravidade estão lá para impedir. A memória de curto prazo, que depende diretamente do córtex pré-frontal, está desligada também. Então os rostos mudam o tempo todo, você não consegue ler direito... Até por isso seu avatar do sonho é sempre disléxico. 

Parece só uma farra mental. Mas não: os sonhos têm um propósito. E justamente o mais inesperado: eles tecem a realidade.

Como? Para começar, eles resolvem seus problemas. Foi o que concluiu um dos neurocientistas mais respeitados do mundo, Robert Stickgold, de Harvard. A base para isso foi uma experiência simples, feita neste ano. A equipe de Stickgold colocou 100 voluntários para andar num labirinto virtual, um daqueles 3D, de jogos tipo Counter Strike. O grupo foi posto para treinar as manhas do labirinto, aprender a navegar nele, por algum tempo. Depois deram um intervalo de 5 horas e chamaram o pessoal de volta para uma prova: ver quem conseguia achar a saída do labirinto mais rápido. Mas tinha um detalhe: os pesquisadores colocaram metade dos voluntários para tirar um cochilo de duas horas. O resto ficou acordado. Na volta, o time dos dormidos se deu ligeiramente melhor que o dos despertos - demoravam alguns segundos a menos para encontrar a saída.

Até aí, nada de mais. Mas veio uma surpresa. Entre os que foram dormir, alguns sonharam com o jogo. Esses tinham virado Ayrtons Sennas do labirinto: melhoraram seu tempo 10 vezes mais que os outros. Os cientistas ficaram eufóricos. Mais ainda depois de ler os relatos dos sonhadores. "O jogo me fez sonhar com uma caverna que visitei - e no sonho ela era tipo... tipo um labirinto", disse um. "Só ouvi a musiquinha do jogo no sonho", falou outro. Mas como isso pôde melhorar o desempenho deles?

Para Stickgold, essas imagens mentais eram apenas uma sombra do que o cérebro dos voluntários fazia de verdade. E o que ele fazia era processar o labirinto no meio da balbúrdia dos sonhos. No caso do rapaz que sonhou com a caverna, por exemplo, estava claro que o jogo se fundia às memórias antigas dele. Era como se a experiência nova, a de aprender a se virar no labirinto, estivesse entrando no meio da escola de samba desgovernada. 

Stickgold imagina que, quando o cérebro digere alguma experiência dessa forma, ele faz algo especial: extrai o que há de mais importante nessa experiência. Aí ela fica mais compreensível. E você aprende algo novo sem se dar conta. 

A conclusão é ambiciosa. Para o neurocientista, isso acontece com tudo o que o cérebro capta. Nada deixa de passar pela festa dos sonhos. É nela que peças do presente se encaixam com as do passado, formando a imagem mental que temos do mundo. Nessa imagem está tudo o que você sabe, do significado da palavra "martelo" até seus amores e traumas. 

Não há uma prova definitiva de que é assim mesmo que tudo funciona. Mas as experiências de laboratório indicam que sim. E as da vida real também. É comum, por exemplo, acordar com uma ideia nova. Prontinha. Já aconteceu com você? Com Paul McCartney aconteceu. Numa manhã de 1965, ele acordou com uma música na cabeça, foi para o piano e tirou a melodia. Ficou estarrecido. "Não acreditava que ela pudesse ser minha", disse. Era, sim. E acabou gravada com o nome de Yesterday. Coincidência uma obra onírica ter virado o maior sucesso comercial da maior banda da história? Talvez não. Satisfaction, a mais célebre dos Stones, também apareceu num sonho - de Keith Richards.

Mas ninguém teve sonhos tão célebres quanto outro sujeito: Freud, que escreveu sobre o assunto usando em grande parte os próprios sonhos como base. Apesar dos avanços da neurociência, suas ideias sobre o mundo onírico continuam respeitadas. Faz sentido? Sim. E não. 

A teoria de Freud: os sonhos são a manifestação de desejos reprimidos. Ponto. Vários sonhos, de fato, parecem ser isso mesmo. Se você está com sede, provavelmente vai sonhar que está bebendo água.

Mas o problema nela é óbvio. A maior parte dos sonhos não tem nada a ver com desejo. Uns são tão banais que não podem entrar nessa classificação. Outros são pesadelos. Alguém deseja morrer afogado por uma daquelas ondas gigantes de sonho? Ele sabia que não. Mas batia o pé: os desejos estariam quase sempre disfarçados. Sigmund explica: "Um dia falei para uma paciente, a mais inteligente das minhas sonhadoras, que os sonhos são a realização de desejos. No dia seguinte ela me contou ter sonhado que estava indo viajar com a madrasta", escreveu em seu A Interpretação dos Sonhos, de 1899. "Mas eu sabia que, antes, ela tinha protestado contra o fato de que teria de passar o verão na mesma vizinhança que a madrasta. De acordo com o sonho, então, eu estava errado. Mas era o desejo dela que eu estivesse errado, e esse desejo o sonho mostrou realizado." Acredite. Se quiser. 

Por essas boa parte dos pesquisadores de hoje prefere tratar Freud mais como literatura do que como ciência. A gente sonha com água quando está com sede? Usando as analogias deste texto, a explicação seria: o pessoal do sistema límbico foi até a ala do córtex visual e disse que seu corpo estava com sede. O córtex pegou e criou uma imagem que tem a ver com sede. Sem drama. O sonho da paciente inteligente? Bom, às vezes uma viagem de trem com a madrasta é só uma viagem de trem com a madrasta...

Mas alguns cientistas defendem que as pesquisas modernas confirmaram muito do que Freud pensava. Allen Braun, um neurologista célebre, faz uma defesa sólida: "O fato de as regiões do cérebro responsáveis pela memória emocional e de longo prazo ficarem supercarregadas enquanto as do pensamento racional repousam pode ser visto em termos freudianos como o ‘ego’ saindo do comando e dando liberdade ao inconsciente", diz. Mas ele também acha a teoria de Freud defasada. 

A interpretação moderna dos sonhos é mais complexa. Quem estuda a mente hoje olha com atenção para os detalhes do sonho de cada pessoa, sem correr atrás de interpretações genéricas. Usar símbolos universais, do tipo "sonhar com água significa x ou y", então, nem pensar. Isso seria subestimar o maior talento do cérebro sonhador : a capacidade de criar metáforas surpreendentes.

Ann Faraday, uma psicóloga americana especializada em sonhos, tem um bom exemplo dessa habilidade poética. Ela estava para ser entrevistada no programa de rádio de um certo Long John Nebel. Aí, na noite anterior, sonhou que um sujeito de ceroulas a ameaçava com uma metralhadora. Símbolo fálico, desejo sexual enrustido... Tem tudo aí. Mas não. A interpretação dela foi bem mais direta. Long John é "ceroula" em inglês, e o apresentador era conhecido por ser particularmente ferino. O sujeito de roupas íntimas, então, era uma metáfora que o cérebro dela arranjou para o nome do sujeito; e a metralhadora, uma para o medo que ela sentia de ser agredida na entrevista. Só isso.

E tudo isso. "Podemos aprender sobre as emoções que nos guiam na vida real se prestarmos atenção nos sonhos", diz o psiquiatra J. Allan Hobson, de Harvard. O exercício aí é tentar decifrar as metáforas dos sonhos, encontrar quais elementos da sua vida estão por trás delas - uma tarefa profunda e pessoal em que nenhum dos dicionários de sonhos já feitos desde a invenção da escrita vai poder ajudar. 

E nem sempre será fácil. A psicóloga americana Rosalind Cartwright, por exemplo, concluiu algo paradoxal com base em anos de estudos: que os rejeitados num relacionamento que mais sonham com o ex são os que se recuperam mais rápido do baque da separação. Isso casa bem com as pesquisas de Stickgold: talvez seja o cérebro maquinando formas de lidar com o rompimento, dando um jeito de aliviar a dor. Mas não dá para ter certeza, só especular. Ainda há certas coisas entre a vida real e os sonhos que estão além da ciência. Para começar, não dá nem para saber se você vai acordar daqui a pouco e descobrir que tudo isso foi um sonho. Mas ok. No fundo, dá na mesma.
A incepção 
Os invasores de sonhos do filme A Origem deixaram muitas pulgas atrás de muitas orelhas. Espante algumas 

Dá pra pôr ideias na mente alheia?
Sugestões bem dadas antes de dormir podem influenciar o sonho dos outros. Mas nada garante que forçar alguém a sonhar com um carro vai convencê-lo a comprar um, por exemplo. 

Dá pra sonhar em um sonho?
É o "falso espertar": você acha que acordou, mas ainda está dormindo. 

Dá pra morrer sonhando?
Dá, mas não pelo sonho, mas porque se morre dormindo.

Nossos traumas voltam nos sonhos?
Em fases difíceis, os sonhos recuperam nossas referências máximas de estresse. Para Leonardo DiCaprio em A Origem, era a esposa falecida; já veteranos sonham com a guerra. 

Existem sonhos coletivos?
Fora os do tipo Martin Luther King, só ficção científica mesmo.

Sonho dura mais que o sono? 
Apesar de o roteiro de A Origem discordar, o tempo do sonho é o mesmo do relógio. 

O que é a fase de sono REM? 
São as partes do sono em que o cérebro fica mais ativo do que de dia. É nelas que ocorre a maioria dos sonhos. REM é a sigla em inglês para um efeito colateral dessas fases: "movimento rápido dos olhos".

Só lembramos o fim dos sonhos?
Durante os sonhos, a serotonina, neuromodulador que controla a memória, não está presente. A tendência é lembrar só os sonhos do fim do sono, quando ela volta a ser produzida pelo nosso cérebro.

Quantos sonhos temos à noite?
Basicamente, é o número de fases REM: 4 ou 5 vezes por dormida. Eles começam curtos (3 a 4 minutos) e vão ficando maiores conforme a noite avança, chegando a quase uma hora no início da manhã. 

Por que nem todos se lembram dos sonhos?
Não é magia, é psicologia: lembra dos sonhos quem decidiu que eles valem a pena ser lembrados. Com motivação, quem esquece seus sonhos vai se lembrar deles - ao menos dos que surgirem no fim do sono.

Para saber mais 
The Mind at Night
Andrea Rock, Basic Books, 2004.

Dreaming
J. Allan Hobson, Oxford, 2002.


COMENTÁRIO:

Essa reportagem me esclareceu algumas dúvidas que eu tinha em relação aos sonhos. Por exemplo, eu não entendia porque não conseguimos nos lembrar de todo o sonho e porque não nos lembramos dele por muito tempo. Já tive um " falso despertar" e entendi que isso acontece mesmo. Achava que era só eu! Mas eu gosto de sonhar,  acordo feliz e quando vou dormir, às vezes fico pensando, com o que eu sonharei naquela noite e desejo que seja um bom sonho. Já sonhei com filmes de terror, fantasmas e perseguições, mas o que eu mais gosto é sonhar que estou voando. Muito bom!

O segredo das formigas - 3o Bimestre.

Ciência

O segredo das formigas

Elas já formavam a sociedade mais evoluída da Terra há cerca de 10 milhões de anos. São fortes, espertas e trabalham em grupo melhor que nós. Veja o que você pode aprender com as formigas

por Otávio Cohen
Olhando do alto, parece uma coisinha inofensiva. Nada de garras assustadoras, chifres ou mandíbulas enormes que outras espécies ostentam. É pequena demais (3 mm) e tem uma picada que causa, no máximo, reação alérgica. Mesmo assim, a formiga argentina é uma das pragas urbanas mais graves do planeta. Para entender, pare de olhar do alto.

No século 19, algumas formigas da margem argentina do rio Paraná pegaram carona em navios e desembarcaram em outros portos mundo afora. Bastou para o estrago estar feito. A formiga argentina não é uma boa vizinha. Pelo contrário, é competitiva e predadora em níveis méssicos (de Messi, o Lionel). Chegam, invadem casas, estressam famílias e disputam território com insetos maiores e mais sinistros. Resultado: elas estão em áreas costeiras de todo o mundo.

Em 2000, pesquisadores encontraram uma supercolônia gigante que ocupa todo o sul da Europa, estendendo-se por 6 mil quilômetros, de Portugal à Grécia (o litoral da Argentina, só para lembrar, tem 4,7 mil quilômetros). São milhões de ninhos diferentes e bilhões de operárias. "Conheço pelo menos cinco supercolônias, mas provavelmente há outras", diz Alex Wild, biólogo especializado nas argentinas. O sucesso desses países subterrâneos é a parceria. Enquanto formigueiros comuns travam disputas entre si, os da supercolônia não competem uns com os outros. É a maior unidade cooperativa do mundo. As supercolônias existem também nos Estados Unidos, no Japão e na Austrália. Por isso, é difícil encontrar uma formiga urbana que não seja a argentina, cientificamente conhecida comoLimepithema humile, em lugares tão distantes como Chile, Portugal e Califórnia. Lá, aliás, as argentinas dizimaram os lagartos-de-chifres, cuja população caiu pela metade depois que as invasoras fizeram sumir do mapa outras formigas que eles comiam. Essas formigas não passam batido. E são versáteis. "Como conseguem criar formigueiros rapidamente em diversos ambientes, as argentinas se estabelecem facilmente em novos lugares", diz Wild. E, para piorar, são resistentes aos inseticidas comuns, o que faz delas formigas quase invencíveis. Quase.

Foi em um parque na Carolina do Norte que as argentinas mostraram sua fraqueza. Segundo um estudo da universidade estadual local, a argentina ocupava, em 2008, 99% do parque, enquanto uma espécie chinesa estava em 9%. Três anos depois, as argentinas caíram para 67%. As chinesas começaram a reagir porque resistem mais ao frio. No inverno, ambas entram em um estado parecido com a hibernação. Mas a asiática volta à ativa antes, e é mais fácil conquistar território enquanto o inimigo dorme. As implacáveis argentinas podem ter encontrado seu General Inverno e uma possível derrota. Mas as formigas como um todo estão longe de perder no jogo da evolução.
Todas por todas
A colônia é um organismo só. E as saúvas exemplificam isso


Eficiência de formiga
Já dizia Macunaíma: "pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são". Numa coisa, o herói de Mário de Andrade estava certo: as 200 espécies do gênero Atta são o maior grupo de formigas do Brasil. E o mais complexo do mundo, com câmaras, galerias e túneis.

Câmara real

O formigueiro começa com uma rainha criada em outra colônia. Ela acasalou e procura um novo lar. Quando encontra o local, bota ovos. Depois, comanda a colônia. Se falta alimento, solta um feromônio para orientar as operárias responsáveis pela comida, por exemplo.

Quarto de despejo
As operárias se desenvolvem e põem ordem na casa. Cada formiga tem um papel, o que é a essência da eussocialidade (quando um grupo de insetos forma, na prática, um organismo só). As operárias cavam túneis e buracos, que serão as câmaras do formigueiro. Algumas são para guardar restos de folhas, cadáveres de outras formigas e até lixo.

Relação casual
A rainha cria tanajuras, novas rainhas em potencial, e bitus, os machos. Ambos saem em revoada em busca de parceiros. Depois da missão cumprida, o bitu morre. E menos de 1% das tanajuras consegue seu próprio ninho.

Bebês a bordo
Até 20 dias depois de saírem dos ovos, as larvas se transformam em pupas. Elas são bem parecidas com as formigas adultas, mas não andam nem comem. Este estágio pode ter várias fases e dura até dez semanas. As pupas de cada fase podem ser transportadas para câmaras específicas para se desenvolver.

Lanchonete

As saúvas cortam folhas, mas são incapazes de comê-las a seco, então cultivam jardins de fungos no formigueiro (é por isso que elas carregam as folhas, e não comem na nossa frente). Os fungos digerem a celulose e eliminam outras substâncias das folhas que fazem mal às formigas. Depois, são esses fungos que servem de comida para as saúvas. Ou seja, elas são grandes agricultoras.

São mais de 14 mil espécies de formigas


- Estima-se que haja outras 15 mil ainda não catalogadas.
- 1/5 de toda a biomassa animal da Terra é composto por elas
- Existem 10 quatrilhões de formigas por aí. Mais de 1,5 milhão para cada ser humano


Quem é quem no formigueiro

OPERÁRIAS CORTADEIRAS (2 MM)

Responsáveis pela coleta de matéria-prima para o almoço. Formam aquelas filas enormes de formigas carregando pedacinhos de folhas.

OPERÁRIAS SOLDADOS (3 MM)
Estão sempre a postos nas saídas do formigueiro. Se for preciso, defendem a colônia de outros insetos e formigas rivais.

RAINHA (5 MM)
Passa até 20 anos botando ovos e controlando todo o formigueiro. Quando morre, o formigueiro se dissolve.

OPERÁRIA GENERALISTA (1,5 MM)

O serviço doméstico fica por conta delas. Além de cuidar dos ovos e das pupas, elas limpam os ninhos.

LARVAS E PUPAS (ATÉ 1 MM)

A larva passa três semanas comendo às custas das operárias. A alimentação define seu futuro: quanto maior ela ficar, mais chances de ser soldado, por exemplo.

BITUS (3 MM)

São os únicos machos. "Homens-objetos", nascem de ovos não fecundados da rainha, vivem poucas semanas e servem para ajudar a criar novas colônias.


Pensamento coletivo
Como elas pensam - e agem - melhor em grupo


PORTA DA ESPERANÇA
Em 2012, cientistas da Universidade do Estado do Arizona, EUA, desenvolveram oito formigueiros artificiais. Só metade tinha características apropriadas, como iluminação e tamanho ideais. As formigas precisavam escolher um formigueiro. Quando expostas sozinhas ao teste, elas escolheram os ninhos bons 50% das vezes. Já quando a colônia inteira teve de escolher, em todas as vezes elas foram para os ninhos habitáveis.

SEM FRESCURA À MESA

Manter uma dieta bem versátil também ajuda. "Elas podem explorar diferentes recursos de um ambiente sem limitação por especialização alimentar", diz o biólogo Rodrigo Feitosa, da USP. Significa que as formigas não são como os pobres lagartos-de-chifres da Califórnia citados no início da reportagem, que morreram quando os bichos que eles comiam foram exterminados. Se uma fonte de alimento acaba, elas se organizam para procurar outra sem deixar o formigueiro desprotegido.

COLETIVIDADE

Em organismos eussociais, como formigas, são as características da colônia que são transmitidas às futuras gerações. Ou seja, o conceito de evolução se aplica ao coletivo, não ao individual. As formigas que não se reproduzem, como as operárias, têm mais tempo para se especializar em outras tarefas, como a busca de alimento e a defesa do ninho. Para os biólogos, essa capacidade de evoluir em grupo é um dos fatores que garantiram a sobrevivência das formigas por mais de 100 milhões de anos.

PARCERIA NA SIMBIOSE

Formigas têm relações simbióticas, ou seja, em que há vantagem para todos, com mais de 400 espécies de plantas, milhares de artrópodes, fungos e micro-organismos. Junto com as minhocas e os cupins, elas cumprem a tarefa de revolver o solo e enriquecê-lo com oxigênio. Até mesmo as formigas-cortadeiras, famosas por destruir folhas e flores, dão uma mão para a natureza. Os fungos que elas criam nos formigueiros servem de adubo para espécies de árvores como a embaúba, por exemplo.

7 MIL PAUZINHOS E UMA CANOA

Para não se afogar nas áreas inundáveis da Amazônia, formigas-de-fogo (ou lava-pés) juntam forças e formam um bote improvisado com seus próprios corpos. "Os insetos do gênero Solenopsis sobrevivem semanas sobre a água", diz o biólogo Ricardo Solar, da Universidade Federal de Viçosa (MG). O bote permite a sobrevivência de grupos de até 7 mil formigas (incluindo a rainha e as larvas). Funciona porque elas têm um superpoder que repele a água e é tão eficiente que mesmo se você empurrar o bote para baixo ele volta à tona. (Clique para assistir ao vídeo da BBC).
 COMENTÁRIO:
Quando eu era pequena, o meu sonho era ter um formigueiro. Meus pais me deram um artificial, de um material acrílico, mas eu queria mesmo um de terra, pois era fascinada ( e ainda sou), pelo modo como as formigas se relacionam entre- si e com outros insetos. Por isso, gostei muito de ler essa reportagem, pois sempre descubro algo que não conhecia. Dessa vez, eu descobri que existem as supercolônias de formigas, que decidem melhor juntas do que sozinhas e que o macho é chamado de Bitu. Talvez, se pensássemos como as formigas, não haveria crianças abandonadas, famintas e desabrigados. Simples assim.

J.R.R TOLKIEN E C.S. LEWIS ENFRENTARAM ADOLF HITLER NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - 3o Bimestre.

J.R.R TOLKIEN E C.S. LEWIS ENFRENTARAM ADOLF HITLER NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL


Muito antes de colocar os pés na Terra Média, J.R.R.Tolkien precisou passar por lugares bem menos agradáveis: os campos de batalha da Primeira Guerra Mundial. Ele lutou, entre outras, na disputa que mais tarde ficaria conhecida como a Batalha de Somme, travada por ingleses e franceses contra tropas alemãs, na região do Rio Somme, na França. O conflito durou pouco mais de 4 meses, de 1º de julho a 14 de novembro de 1916, e é considerado um dos mais sangrentos da história.
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John Ronald Reuel Tolkien com seu uniforme, em 1916
O autor de “O Hobbit”, “Senhor dos Anéis” e “O Silmarillion”, que tinha 24 anos na época da batalha, não era o único grande nome a participar da luta – seu amigo íntimo, o escritor C.S. Lewis, que à época tinha apenas 18 anos e nem sonhava que um dia seria o criador de Nárnia, também defendia seu país durante a guerra. Tolkien era subtenente dos fuzileiros de Lancashire.
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Clive Staples Lewis (esquerda) em foto tirada durante a Primeira Guerra Mundial
Para completar esse cenário inusitado, do outro lado do front havia um soldado que mais tarde seria bastante conhecido por seus feitos: Adolf Hitler. Ele era parte da Divisão de Reserva da Bavária, e foi o único entre os três a se ferir durante o conflito, pois foi atingido por um tiro na perna no dia 7 de outubro de 1916.
Foi sobre sua experiência na Primeira Grande Guerra que Hitler escreveu o livro que, mais tarde, ficou conhecido como um dos ícones do nazismo, o Mein Khampf, ou “Minha Luta”, em que, de acordo com especialistas, ele faz um relato muito mais heroico do que sua verdadeira atuação durante a guerra.
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Adolf Hitler, como soldado durante a Primeira Guerra Mundial
A Batalha de Somme foi a única que reuniu Lewis, Tolkien e Hitler em um mesmo conflito, apesar de todos terem enfrentado outros desafios durante o período de guerra. Ao todo, foram mortos em Somme 95 mil soldados britânicos, 50 mil franceses e 164 mil alemães.
As conquistas da luta foram pequenas se comparadas às perdas humanas – os franceses e ingleses conquistaram um território de apenas 300 quilômetros quadrados.


COMENTÁRIO:

Adorei ter lido essa reportagem! Amo "As Crônicas de Nárnia" e o "Senhor dos Anéis" e sabendo o que os autores passaram e viram, fica fácil entender como eles escreveram as cenas de batalha de uma maneira tão real e detalhadas. Fico também imaginando, se, durante a guerra, tentando fugir daquele horror, eles não ficaram imaginado estarem em um outro mundo e daí plantaram a semente para essas obras tão incríveis. Quantos soldados que morreram na Batalha de Somme, também deixaram de produzir coisas genias?  Tantos homens bons morreram e o Hitler não... e depois tantos outros, morreram por causa dele.

'Chefs' do neolítico temperavam seus alimentos. 3o Bimestre.

'Chefs' do neolítico temperavam seus alimentos

Restos de grãos de mostarda foram encontrados em panelas de 6 mil anos de idade

por Luciana Galastri

Editora Globo
Fragmento de um antigo recipiente de alimentos onde foram encontradas mineralizações de vegetais // Crédito: Universidade de York
Um caldo de peixe fresco com ostras, temperado com alho, parece um prato digno de um ótimo restaurante. Mas é a descrição de uma refeição saboreada há 6 mil anos na Europa. A descoberta de sementes de erva-alheira (que têm um cheiro forte de alho, como seu nome indica) em panelas antigas, encontradas na Alemanha e na Dinamarca, evidencia que, desde o período Neolítico, nossos ancestrais costumavam temperar seus alimentos.
Até agora não havia evidências de que, neste período, antes de se dedicarem à agricultura, pessoas já temperassem seus alimentos. De acordo com cientistas da Universidade de York, responsáveis pela descoberta, essa é a prova de que coletores e caçadores já tinham uma cultura culinária sofisticada.
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores procuraram por fitolitos (uma mineralização resultante da atividade fisiológica de vegetais), que podem ser preservados mesmo quando a planta se decompõe. E, mesmo que o passar dos anos produza algum tipo de mudança nos fitolitos de uma planta, há características permanentes que podem indicar sua origem. Em pesquisas anteriores, o método foi usado para identificar arroz cultivado há mais de 10 mil anos na China, por exemplo.
Provas em relação ao tempero usado por esses povos, obtidas de outra forma que não por análise de fitolitos, são raras pois o tecido de plantas dificilmente deixa rastros nos sítios arqueológicos. E apesar de vestígios de sementes de papoula e de dill terem sido descobertos em outros sítios, eles datavam de aproximadamente 5 mil anos atrás, quando a agricultura já estava estabelecida.
Via Nature

COMENTÁRIO:
Eu adoro chegar em casa e sentir o cheiro dos temperos que a minha mãe usa para fazer comida. Muito interessante saber que fazemos isso a mais de 6 mil anos. Acho que o ser humano, gosta tanto de comer e saborear um bom prato, que aprendeu a temperar a comida há muito tempo. E com o passar dos anos, foi aprendendo a misturar mais temperos, de acordo com as regiões.

Primeiras formas de vida podem ter surgido em Marte. 3o Bimestre

Primeiras formas de vida podem ter surgido em Marte

Cientista americano sugere que as primeiras partículas de vida primitiva têm origem no Planeta Vermelho e chegaram à Terra através de meteoritos

por Redação Galileu
Editora Globo
Crédito: NASA
A origem da vida na Terra está longe de ser um consenso entre cientistas. Agora, um estudo recente do Instituto de Ciência e Tecnologia de Westheimer (EUA), promete botar mais fogo na discussão. Capitaneado pelo químico Steven Benner, o trabalho apresentado na Conferência de Goldschmidt, em Florença, Itália, sugere que a vida pode ter começado em Marte antes de chegar ao nosso planeta.
A teoria mais aceita atualmente diz que as formas de vida primitiva eram compostas da combinação de RNA, DNA e proteínas. Para criação do RNA, átomos de carbono precisam ser alinhados de forma especial em superfícies cristalinas de minerais, como o boro e molibdênio. Mas estes elementos, ideais para o processo, eram escassos por aqui.
Segundo Benner, esses mesmos minerais eram abundantes no Planeta Vermelho, o que aumentaria a possibilidade da geração espontânea. De acordo com o químico, o boro ajuda na criação de aros de carboidrato, que são, posteriormente, realinhados pelo molibdênio. Este segundo material também devia ser mais abundante em Marte. "É apenas quando o molibdênio se torna altamente oxidado que ele é capaz de influenciar a formação da vida", declara Benner, em entrevista à BBC. "Esta forma de molibdênio não existia na Terra quando a vida surgiu, porque há três bilhões de anos a Terra tinha muito pouco oxigênio. Mas Marte tinha bastante."

Assim, seria mais provável que o RNA tivesse surgido em Marte e chegado na Terra em meteoritos. Um fragmento encontrado há algum tempo na Antártida, inclusive, carregava amostras de vida primitiva, o que reforça a teoria do americano.

O cientista diz ainda que, caso sua teoria estiver correta, foi por sorte que os meteoritos chegaram à Terra - dos dois planetas, ela é a melhor candidata para sustentar vida. “Se nossos hipotéticos ancestrais marcianos tivessem ficado no seu planeta, talvez nós não tivéssemos uma história para contar hoje”, afirmou.
via BBC

COMENTÁRIO:
Eu fiquei um pouco confusa com uma parte desta reportagem. Segundo ela, Marte teria mais oxigênio do que a Terra há bilhões de anos atrás e com isso teria sido formado o molibdênio. Este elemento teria caído aqui através de meteoritos e dado origem ao RNA e assim às primeiras formas de vida. O que eu fiquei confusa, foi sobre a teoria da geração espontânea, pois foi provado que  não é correta. Mas, gostei de saber que temos origem em Marte. Somos Marcianos!

3o Bimestre: Cassini confirma a existência de água congelada em Saturno

Cassini confirma a existência de água congelada em Saturno

A descoberta foi feita graças a uma tempestade gigante que ocorreu no planeta entre 2010 e 2011

por Luciana Galastri

Editora Globo
Crédito: Nasa
Cientistas sabem que há água congelada nas luas de Saturno há muito tempo. Mas eles não esperavam encontrá-la em grandes quantidades na atmosfera do próprio planeta, como revelaram imagens da sonda Cassini, da Nasa.
Pela primeira vez, a Cassini produziu imagens em infravermelho que mostram evidências da água por lá - tornada visível por uma enorme tempestade que ocorreu no planeta entre 2010 e 2011. O gelo estaria na atmosfera, sob nuvens de cristais de amônia (que são a parte do planeta que vemos em imagens normais).
Com a tempestade, a camada de água congelada teria sido trazida para partes mais altas da atmosfera, aparecendo nas imagens da Cassini. Esses fenômenos aconteceriam da mesma forma do que tempestades convectivas na Terra - o ar e o vapor da água são empurrados para parte mais alta da atmosfera, resultando em grandes nuvens. Mas, em Saturno, essas nuvens são de 10 a 20 vezes maiores, cobrem uma área maior e a tempestade resultante é bem mais violenta - enquanto, por aqui, ventos de 65 km/h são considerados fortes, em Saturno os ventos chegam a uma velocidade de 500 km/h.
Tempestades como essa aparecem no hemisfério norte de Saturno em ciclos de 30 anos - o que equivale, aproximadamente, a uma volta do planeta ao redor do Sol.

COMENTÁRIO:
Sempre me interesso por notícias sobre o universo, principalmente quando é sobre as galáxias, planetas e a descoberta sobre algo novo em relação a eles. Eu imaginava que Saturno tinha água, mas no estado gasoso. Saber que há água no estado sólido é uma descoberta bem interessante. Gostei  de aprender que também há nuvens, só que bem, bem maiores mesmo e ventos de aproximadamente 500 km/h. Imaginem ventos com essa velocidade aqui na Terra?